quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Frases ao vento

O vento sussurrou para mim.
Baixo o suficiente para que somente eu pudesse ouvir e claro o bastante para acreditar que aquilo realmente acontecera.
Eram palavras aleatórias e contundentes. Pareciam não ter ligação alguma, mas cada uma delas se repetia a todo instante. Cantavam em meus ouvidos e dançavam em minha mente.
Depois de algum tempo, comecei a ouvir frases inteiras, perversas, que me diziam exatamente o que fazer e me seduziam para obedecer-lhes.
Passou de uma presença para um terrível incomodo. Tudo se acumulava e transformava-se em diálogos exaustivos. Tamborilavam entre meus pensamentos e gritavam mais alto que quaisquer pedidos de socorro. A agonia preenchia minha alma e embotava meu raciocínio. Várias vozes falavam de uma só vez, discutindo entre si.
Percebi que havia perdido a batalha angustiante. O controle de meus atos não estava mais em minhas mãos. Mas bem lá no fundo, meu ser havia se compactado e ainda soprava alguns versos. Foi quando peguei caneta e papel e, com minhas mãos trêmulas e suadas, fui lentamente reacendendo o brilho do meu espírito. As palavras iam de uma em uma, escapando de dentro de mim e se encarregavam de formar textos envolventes e belos poemas, que sempre arrancavam lágrimas dos leitores atônitos e boquiabertos.
A expressão dos meus conflitos internos tornou possível a vitória sobre minhas angústias. Os sussurros vão e vem, trazem medos e alegrias, tristezas e decepções, porém sempre trazem grandes lições. E as frases, trazidas pelo vento, garantem minha lucidez.

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Escritora: Maila Palmeira

Victor & Leo - Na Linha do Tempo

Coisas que você vai aprender ao entrar na Faculdade

1. Não importa o quão tarde é a sua primeira aula, você vai dormir durante ela;
2. Você vai mudar completamente e nem vai notar;
3. Você pode amar várias pessoas de maneiras diferentes;
4. Alunos de faculdade também jogam aviões de papel durante as aulas;
5. Se você assistir às aulas calçado, todo mundo vai perguntar por que você foi tão chique para a faculdade;
6. Cada relógio no prédio mostra um horário diferente;
7. Se você era inteligente no colegial... azar o seu!
8. Não importa tudo o que você prometeu quando passou o vestibular, você vai às festas da faculdade, mesmo que sejam na noite anterior à prova final;
9. Você pode saber toda a matéria e ir mal na prova;
10. Você pode não saber nada da matéria e tirar dez na prova;
11. A sua casa é um ótimo lugar para se visitar;
12. A maior parte da educação é adquirida fora das aulas;
13. Se você nunca bebeu, vai beber;
14. Se você nunca fumou, vai fumar;
15. Se você nunca transou, vai transar;
16. Se você não fizer nada disto durante a faculdade, não fará nunca mais na vida, a não ser que você faça uma nova faculdade;
17. Você vai se tornar uma daquelas pessoas que seus pais falaram para você não se meter com elas;
18. Psicologia é, na verdade, biologia;
19. Biologia é, na verdade química;
20. Química é, na verdade física;
21. Física é na verdade matemática;
22. Ou seja, mesmo depois de estudar anos, você não vai saber nada;
23. Que sentir depressão, solidão e tristeza, não são frescuras de quem não tem o que fazer;
24. Que você sempre vai prometer que no próximo semestre você vai estudar mais, festejar menos, mas que na certa acontecerá o contrário;
25. As únicas coisas que compensam na faculdade são os amigos que você fará lá;
26. Não verá a hora de terminar a faculdade;
27. E quando terminar, perceberá que foi a melhor época de toda a sua vida.

A educação é a mãe de todas as lutas

Se ganhamos todas as batalhasimagem_p, menos a da educação, perdemos a guerra. Se o nosso país tiver índices altíssimos de renda per capita e nossos jovens não souberem entender o que leem, não haverá futuro para nosso país. Os problemas econômicos podem ser reparados com o passar dos anos, mas se não valorizarmos os intelectuais de nosso tempo, perderemos uma geração inteira.
Quando pensamos a educação escolar, percebemos que há 500 anos de uso do livro didático, no entanto, não conseguimos criar a cultura da leitura entre nossos jovens. Muitas vezes, o estímulo também é dado em forma de discurso, porque mesmo alguns professores não são apaixonados pela leitura. De toda forma, as famílias leem muito pouco ou quase nada.
Vivemos um tempo onde entre tantas balatas e lutas do dia-a-dia, temos a educação. Educação atualmente no Brasil é tida como um processo fracassado, causada pela tragédia educacional acumulado ao longo dos tempos. Não obstante, podemos superar essa tragédia se apostarmos em uma educação de qualidade, que ensine além de ler e escrever, o pensar.
Essa tragédia educacional se reflete na economia. Um país sem pessoas sábias tende a desenvolver uma economia pobre. Isso quer dizer de que, as empresas na era da globalização, tendem a espalhar pelos países etapas de seu processo produtivo, escolhendo cada local pela vantagem competitiva. Países sem cérebros pensantes, ficam atrelados com os menores valores de investimentos agregados.
Esse é apenas um aspecto. Existem outros no que se refere à educação como mãe da luta. Exemplos são a política, economia, estrutura social, governos, modelos de Estado, etc.
Se observarmos, em um país onde não há luta pela educação, a cultura se precariza a ponto de estagnar o desenvolvimento social. Na verdade, uma cultura sem condições de competição, retrocede aos mais baixos valores sociais, acentuando a violência, prostituição, crimes, etc.
Se a educação é a mãe de todas as lutas, os professores são por excelência seus soldados. No entanto, a formação desses “soldados” carece de formação política e cidadã. Volto a insistir, “se uma escola não educa para a vida, à que ela está disposta?” – essa é a pergunta base para identificarmos na luta diária dos professores os resultados práticos do processo de ensino e aprendizagem.
Por ultimo, lutar por um sistema de educação melhor e, portanto, um país melhor, não é papel social apenas da escola, é seu também! Você é convidado especial!

A angústia de nunca saber o bastante

Vivemos em tempos de excesso de informações. A globalização e a revolução tecnológica nos trouxeram o legado que disponibiliza à toda humanidade o acesso ao conhecimento, cada veze produzido com maior velocidade. Para alguns, essa velocidade é espantosa. A mesma, vale-se da informática que tem em seu cerne a extraordinária capacidade do armazenamento de informações e a facilidade de transmissão das mesmas. No entanto, trago algumas questões importantes para discussão:


1. Conhecimento é poder. Frase de Francis Bacon que tem muita validade nos dias de hoje. Conhecer no mundo de hoje é, saber pensar e agir com mais qualidade. Quanto mais se sabe, tanto mais se compreende. Necessidade de compreender as relações complexas.
2. Aprender com o Erro. Do erro nascem os acertos. Muitas vezes errar não é permitido. Mas, aprende-se errando. Só erra quem está tentando acertar, está buscando melhorar, buscando descobertas.
3. Mais conhecimento, mais segurança. Quanto mais sabemos, mais vamos percebendo como o nosso conhecimento é limitado, e quanto mais precisamos conhecer. Isso gera determinada insegurança, e a necessidade de buscar cada vez mais. No entanto, quanto mais sabemos, tanto mais nos tornamos seguros para pensar e agir.
4. Era do conhecimento. Em tempos de muitas informações, percebemos que a “era da informação” não deixa de ser apenas um apelido. A atualidade está marcada pela busca frenética e a necessidade de construir conhecimentos. Embora, o conhecimento sempre fez parte de nossa vida.
5. Informação e Conhecimento. Informação e conhecimento são questões ligeiramente diferentes. Informação é tudo que está e se pode comunicar no mundo. O conhecimento é o significado que adquirimos desse movimento de informações. Quando você dá significado às informações, está produzindo conhecimento.
6. Conhecimento e Preconceito. É inaceitável que alguém que esteja em constante busca de conhecer mais, assuma o preconceito como ponto de partida. Quanto mais conhecemos mais nos colocamos à serviço do multiculturalismo e da multiplicidade de ideias. Possibilidade é a palavra mais indicada para quem está angustiado na busca do conhecer.

O legal desse processo é que todos estamos no mesmo barco, portanto, lembre-se: conhecimento não ocupa lugar. Por mais que, ainda hoje existam unidades de armazenamento de dados, o significado do conhecimento humano é cada vez maior. Angustie-se em saber mais! Quanto mais conhecimento, mais humanos nos tornamos.

Transição ou crise na Educação?

Vivemos um momento de mudanças. Há quem entenda esse processo do ponto de vista fragmentado, elaborando um estereótipo do momento: a Crise. Por outro lado, há então àqueles que buscam tomá-lo do ponto de vista da complexidade e o assumem como um momento de transição.
Elaboramos uma nova pedagogia: a do diálogo. Estabelecer um diálogo, uma comunidade discursiva de falas é fundamental para a construção desse novo paradigma educacional. A pedagogia do diálogo carrega em sua bagagem a constituição do que é e do como está se realizando essa transição. A principal mudança reside na abordagem dos processos de ensino-aprendizagem.
No Paradigma moderno ou atual, os processos de ensino aprendizagem apontam para uma abordagem de transmissão do conhecimento. Transmitir implica em um receptor. Na escola, professores transmitem e alunos recebem. Assim, acontece uma relação de Sujeito è Objeto, onde o transmissor (Sujeito-Professor) determina o objeto a ser transmitido, bem como o seu significado. Já o Objeto (receptor-aluno) apenas o assume em uma hipótese de acúmulo de conhecimento.
Surgem diversas críticas sobre essa concepção. A maior delas vai ao encontro da Teoria da Ação Comunicativa de Jurgen Habermas. O Filósofo propõe uma guinada histórica nesse processo. Antes de mais nada, Habermas propõe como método a comunidade discursiva de fala, ou seja, é um espaço onde se considera as diferentes opiniões, culturas, entendimentos, etc., e, sob a pretensão de se chegar a um consenso, constrói-se uma nova relação entre os sujeitos. Note, que antes o que apenas ia, agora também retorna. Isso quer dizer, ensinar e aprender é um feed back constante. As trocas são fundamentais. Muito mais que elas, o confronto epistemológico no sentido de, tanto o professor quanto o aluno estarem abertos à discussão. Nesse método há a construção, desde os planos de trabalho interdisciplinares, quanto às metodologias utilizadas. A partir dessa proposta, o aluno não apenas recebe, mas dentro de sua disposição natural e desejo de conhecer, participa efetivamente da construção do professor. Sim! Para muitos um desafio: construção do professor! Vale lembrar que, a visão moderna do ensino assentado sob a premissa da autoridade se desconstrói e, no lugar dessa, nasce um novo papel docente: o neomoderno.
A Pedagogia Neomoderna quer reconstruir a Modernidade, mas de uma forma à repensar quais foram os pontos falhos, não na intenção de corrigi-los, mas de reconfigurá-los. Diante dessa urgência, reconfiguram-se os papéis políticos, pedagógicos e sociais dos professores e alunos.
Pedagogicamente, alteram-se as disposições que dão domínio de classe, ensino, postura profissional por meio da autoridade delegada ao professor. O professor é apenas, como dizia Sócrates, um “parteiro” de ideias. As ideias estão/são produzidas pelo aluno, mas sempre é necessário um “trabalho de parto” para orientar o nascimento das mesmas.

Dessa forma, a Crise, conceito exagerado e extremo, toma a dimensão da transição que, para um sistema que arruína, outro que nasce! Ao novo, delega-se a competência, habilidade, formação continuada e responsabilidade política e social, uma vez que a transição exige amadurecimento e postura profissional.

As competências do ser professor

Na maioria das vezes, quando lembramos dos professores, fixamos nosso olhar em seu trabalho. Não nos cabe apontar julgamentos sobre eles. Falar que existem professores que se dedicam ou não é perca de tempo, pois a profissão professor é mais que marcar tempo em uma sala de aula, é desenvolver seu trabalho com competência.
Quando questionadas sobre quais seriam as competências docentes, as pessoas logo apontam para uma avaliação final do trabalho do professor: “o professor fez um bom trabalho”, “o professor fez um péssimo trabalho”, etc. No entanto, ser professor hoje é muito mais que estar preocupado apenas com o resultado final; é, na verdade, buscar uma correspondência eficaz entre o que se tem como conhecimento e o mundo da vida prática. Para tanto, é necessário algumas (entre tantas) competências:
O agir ético: nós professores somos alvo de nossas próprias palavras. No entendimento infantil, não há uma dissociação da profissão professor com a identidade de quem a exerce. No entanto, algum tipo de ação do professor em espaços não escolares, poderá vir a ocasionar profundos reflexos.
Conhecimento flexível: Diante de leis em educação que não permitem flexibilidade, buscamos a flexibilidade como ponto de entendimento, pois sabemos que ninguém sabe mais do que ninguém. No entanto, é na troca efetiva daquilo que consideramos como conhecimento que vamos aprendendo. Não temos verdades absolutas, individuáveis, mas possibilidades diante da resolução de problemas da vida, e para isso, precisamos ser flexíveis, mesmo que em muitas vezes os pais não compreendam, pois querem respostas prontas – “produto final”.
Formação Constante: Ser professor é uma profissão que requer aperfeiçoamento constante, seja no âmbito do entendimento e reflexão, seja na perspectiva do domínio técnico da profissão. Antes era fácil ser professor, hoje vivemos dia após dia um turbilhão de informações e conhecimentos processados à cada segundo.
Trouxe para nossa reflexão apenas três competências. São competências importantes. Podemos somar à elas as habilidades e teremos um professor atual, pedagógico e acima de tudo estudioso. No entanto, há uma dimensão política do trabalho do professor que não pode ser esquecida: a missão de transformar a sociedade.
Paulo Freire já dizia que se “a educação não muda a sociedade, tão pouco, a sociedade sem ela mudará!”. Está implícita nessa frase a missão de cada dia de nossos mestres, nossos dedicados professores de todos os níveis de Ensino. Não há nível que se sobressai à outrem, pelo contrário, é na continuidade interdisciplinar dos mesmos que seguimos desejosos de formar um ser humano mais humano, com olhar para si e para o outro.
Esses são alguns desafios que exigem as Competências da Profissão Professor!