terça-feira, 21 de junho de 2011

Uma pitada de poesia...

Porque viver não é apenas dinheiro...!



libanoDentro de tão pouco tempo, não pelo efeito de armas nucleares, mas pelo descontrole da produção e pela busca exagerada do lucro, podemos destruir toda a vida no planeta. Passamos de um modelo de produção, para um modelo de destruição. Hoje, na Amazônia, 8.600 áreas do tamanho do Maracanã são destruídas a cada dia. São em média 154.000 árvores por hora. A partir desse dado, calcula-se que em 2050, mais de 45% da população mundial não contará com a porção mínima individual de água. Lembre-se, estamos em 2011. A água que temos e bebemos, no entanto, a água fresca, corresponde apenas a 2,4% da água do mundo; dessa, apenas 0,02% está disponível em rios e lagos para o consumo humano.
Outro fator preocupante é o derretimento das geleiras em virtude do aquecimento global. Esse derretimento ocorre três vezes mais rápido que, por exemplo, nos anos de 1980. Com o derretimento, ocorre a elevação do nível do mar em aproximadamente um metro o que expõe cerca de 145 milhões de pessoas à enchentes. Diante desse cenário, fica a pergunta: O que estamos fazendo? Não podemos comprometer as futuras gerações, elas não tem culpa se fomos ou estamos sendo irresponsáveis com nossa própria casa! Precisamos colaborar com o mundo, até mesmo com ações simples. Cito:
- Diga não ao cigarro! Além de fazer mal à sua saúde, as pontas do mesmo levam em até 10 anos para se decompor. Muitos animais que as comem acidentalmente morrem. Já não está na hora de parar de fumar?
- Use os dois lados de uma folha e recicle. O papel exige um surpreendente quantidade de madeira e energia para ser produzido.
- Use menos o grampeador. Se 10 milhões de funcionários de escritórios usassem um grampo a menos por dia, seria economizado quase 100 toneladas de aço por ano.
- Tire o carregador da tomada quando a bateria estiver carregada. Se 10% dos donos de celulares do mundo fizessem isso, o consumo de energia seria equivalente à utilizada por 60 mil residências europeias.
- Plante árvores. Uma árvore absorve até 360 quilos de CO2 por ano.
- Evite sair de carro. Usar um litro da gasolina produz 2,4 quilos de CO2. Desligue o motor quando estiver esperando alguém. O ar e seu bolso agradecem.
- Recicle latas de refrigerante. Um televisor pode funcionar 3 horas com a energia economizada com a reciclagem de apenas uma lata.
- E por último, leia esse texto, reflita e converse com seus filhos sobre o mesmo! Eles perceberão que você está fazendo algo mais importante do que o sustento econômico pela vida deles.

A diversidade dos valores no mundo das diversidades



Vivemos em um mundo plural no que se refere aos valores. Por mais que, há sempre resistência de uma geração passada em relação à geração futura no quesito mudança de valores, jamais se pode negar que eles mudam. Os tempos mudaram! E com eles, também mudamos! A pluralidade de valores não é negativa, pelo contrário é fonte de criatividade, pois remete à busca de pontos em comum para nossa convivência, bem como a descoberta de valores fundamentais que dão razão ao existir e fazer humanos.
Diante dessa pluralidade de valores, percebe-se de forma evidente, o enfraquecimento da solidariedade. Com isso, perdem-se os vínculos entre as pessoas, a liberdade de estar atento a toda e qualquer realidade na qual a solidariedade não se faz presente.
A pluralidade é positiva quando analisada no todo. No entanto, devido aos avanços tecnológicos, independência prematura do sentimento de “poder” econômico de alguns países, está cada vez mais difícil prever as reações sociais. O desafio agora é compreender a condição humana, condição do mundo, mas, principalmente a condição planetária.
Os valores podem ser positivos (valores) e negativos (contravalores). Isso dependerá dos critérios que temos e que escolhermos.
A escolha de um valor terá consequências em nossa vida, independente de ser positivo ou negativo. O certo é que a escolha determina nosso modo de ser, de agir e pensar.
Ter consciência dos valores e sua importância é decisivo para o ser humano, pois, como ele não é um ser que nasce pronto, se faz; a escolha dos valores, como critério é fundamental para sua realização e satisfação.
Os valores são edificantes quando resulta de um encontro das possibilidades. Promovem crescimento, maturidade e especialmente a reciprocidade entre os seres humanos.
Vivemos um mundo onde não carecemos de realidades valiosas. Nossa grande dificuldade é escolher os valores que nos são apresentados. No entanto, quanto mais os valores forem duradouros, menos divisíveis, mais servem de fundamento para outros valores.
Concluindo, sem os valores, não somos o que podemos ser. Muito menos, podemos nos desenvolver como seres humanos. Por isso, é fundamental que as instituições sociais primem por uma educação baseada muito mais em valores do que propriamente na tradição. Precisamos escolher como valor àquilo que nos toca e nos possibilita ser diferentes.
Ninguém é dono de valores. Todos estamos em busca do mesmo. Mas só podemos falar do valioso quando estivermos vivenciando. Bons valores à todos!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A EDUCAÇÃO DO SÉCULO XXI


o_pensador_do_seculo_xxi_474185No mundo contemporâneo globalizado, os modelos de produção, as trocas socioculturais, assim como o acontecer diário, exige um modelo de educação que forme indivíduos com habilidades e competências para uma sociedade competitiva.
O que temos feito para realizar esse modelo educacional? Dizemos que a sociedade industrial buscar formar indivíduos unicamente preparados para produzir, para desempenhar um emprego ou uma profissão. Baseando-se na transmissão de conhecimentos, pois somos racionais, e convencionamos que foi necessariamente esse modelo que foi desenvolvido pela educação durante anos, e que vem sendo levado à cabo nos dias de hoje.
Na década de 70, com os avanços tecnológicos, a sociedade da informação buscou criar modelos de pessoas capacitadas para desenvolver um emprego, no que priorize o domínio das habilidades.
Através desse ideal, a educação apoiada pela era da informação, deve facilitar o acesso aos conhecimentos e o desenvolvimento das habilidades necessárias da sociedade da informação. Habilidades como: informação e processamento da informação, a autonomia (capacidade para tomar decisões), o trabalho em grupo, a polivalência e a flexibilidade são imprescindíveis nos diferentes contextos sociais, mercados de trabalho, atividades culturais e vida social em geral.
A sociedade da informação requer um educação intercultural, integral para dar as mesmas oportunidades às todos os estudantes, assim como valores para enfrentar a vida cotidiana. Também deve valorizar a capacidade comunicativa para ser mais partícipe, democrático e crítico. Diante disso, podemos nos perguntar: os professores estão preparados para esse tipo de desafio? A escola, contempla em seu propósito estas premissas?
A educação deve, ou deveria, se assentar em quatro pilares: Aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a viver juntos e aprender a Ser. Cada uma dessas ideias, serve de pressuposto para a vida social e cultural de cada indivíduo. A partir disso, se pretende formar as competências, entendidas como alternativas de resolução de problemas gerados a partir das situações questionáveis. Assim, a educação se pretende realizar uma formação em competências.
Está em nossas mãos a educação, o futuro do país, o bem-estar e a convivência social, a liberdade de pensamento, a autonomia do ser humano e, a responsabilidade de viver dia-a-dia.
E tu, estás preparado?

terça-feira, 7 de junho de 2011

PROFESSORES - PROTESTAR É PRECISO...

’ACUSE !!!
(Eu acuso !)
(Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes)

Igor Pantuzza Wildmann
Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário

« Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice. (Émile Zola)
Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (...) (Émile Zola)

Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).

A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.

O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.

Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.

No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...

E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”

Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...

Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.

Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.

Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:

EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;

EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;

EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;

EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;

EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;

EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;

EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;

EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;

EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;

EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;

EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito,

EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;

EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição.

EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;

EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;

Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.

Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.

A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”

Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.

TODOS PELA EDUCAÇÃO...

Entra ano e sai ano e ouvimos sempre a mesma conversa: A educação precisa ser prioridade nesse país. E agora temos uma série de debates entre vários segmentos das sociedade sobre como fazer para o Brasil avançar nos números que são gerados a cada ano.

Vão aqui algumas sugestões, que se forem seguidas à risca, tornarão a preocupação com os dados estatísticos menos relevante:

  1. Definir um plano nacional de carreira docente, com um salário que faça as pessoas desejarem ser professores, porque terão certeza de que serão socialmente inclusos.
  2. Definir metas de formação inicial e continuada para o corpo docente.
  3. Redução do número de alunos em sala de aula.
  4. Redução da carga de docência direta, e incentivo ao estudo e pesquisa.
  5. Reconstrução das escolas (todas devem ter pelo menos - quadra coberta para esportes, auditório equipado, sala de artes - equipada, laboratórios de informática, química, física e ciência naturais, biblioteca para alunos com profissionais formados para essa função, biblioteca para professores) minimamente.
  6. Redução de turma quando a comunidade onde o risco social for elevado.
  7. Criação de uma equipe multidisciplinar para as escolas onde os níveis de renda forem mais baixos.
  8. Oferecer um fundo de auxílio às escolas situadas em comunidades de risco social.
  9. Autonomia de gestão, ou seja, gestão qualitativa, com profissionais formados para essa função, pois direção de escola não pode ser cargo de indicação política.
  10. Criar uma rede de apoio ao professor, para casos de agressão.
  11. Reformulação do Estatuto da Criança e do Adolescente.
  12. Criar uma forma de avaliação profissional
  13. Fortalecer a coordenação pedagógica, com obrigatoriedade de profissional preparados para essa função.
  14. Dar autonomia à coordenação pedagógica para acompanhar o trabalho docente.
Caso essas questões sejam atendidas, em pouco tempo teremos um novo ranking na educação brasileira.

A grande tristeza é que isso é apenas um sonho.

E as pessoas que tem a obrigação de pensar na viabilidade dessas propostas estão mais preocupadas em aumentar os seus próprios salários, até porque é complicado viver com 24 mil reais por mês nesse país. Pobre coitados dos nossos legisladores.... eles não podem ganhar tão pouco...

Mas afinal, quem somos nós, professores?

Devemos viver com nossos míseros trocados ... com a falta de atenção, falta de verba, falta de materiais, falta de VERGONHA NACIONAL.

E ainda temos que tolerar a desvalorização social, agressões verbais e físicas por exercermos a nossa digna profissão.

Será que ainda termos a felicidade de ver a valorização do professor na nossa sociedade?

O desafio da leitura: uma pedra no caminho do futuro

Francisca Romana Giacometti Paris*

O gigante adormecido que desperta, a economia que volta ao top 10 das mais poderosas do planeta, o País que vive seu mais consistente ciclo de prosperidade dos últimos 30 anos corre o risco de ver seu sonho de futuro brilhante embaçado pela miopia com que sempre tratou a educação.

Não sabíamos ler no passado, lemos pouco no presente e avançamos lentamente demais para um futuro que bate às nossas portas. Isso é o que se pode concluir de informações recentemente publicadas na imprensa sobre a lenta redução nas taxas de analfabetismo dos adultos e na preocupante persistência do iletramento das crianças e dos jovens que já estão na escola. Como bem alertou o sociólogo Simon Schartzman, se o tema fosse localizado entre os adultos e idosos, saberíamos que somos lenientes com uma dívida social do passado. Ao ver que o problema persiste entre crianças e adolescentes, temos de ser conscientes de que, como nação, ainda não tomamos plena consciência da gravidade desse drama que se perpetua.

A começar do fato de que, na sociedade contemporânea, intensivamente tecnológica globalizada, o analfabetismo absoluto deveria ser visto como uma dessas doenças enterradas no passado, como a peste negra e a varíola. Ou seja, precisamos vê-las como inadmissíveis e absolutamente inaceitáveis, tanto quanto a fome.
Mas é necessário ir além. O analfabetismo absoluto é um conceito que tem pouca validade no mundo atual. Precisaríamos balizar nossas opiniões e nossas políticas pela noção contemporânea do problema, que é o analfabetismo funcional. No primeiro caso, são indivíduos que não sabem sequer os rudimentos do alfabeto. No segundo, são pessoas que sabem escrever e ler o próprio nome, mas permanecem incapazes de ler um jornal, um manual ou escrever um texto pouco mais elaborado.

E, nesse caso, as porcentagens sobem assustadoramente. Há um número para isso, calculado pelo Instituto Paulo Montenegro, ligado ao Ibope, que publica o Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional (Inaf). Os dados de 2009 mostram que apenas um terço dos jovens brasileiros de 15 a 24 anos se encaixa no que o indicador chama de “alfabetização plena”. Mais: 15% estão entre o analfabetismo total e a alfabetização rudimentar.

Esse dado só tem uma explicação, e ela é terrível: milhares de crianças e jovens estão passando pela escola e dela saindo ainda incapazes de ler (e, portanto, de escrever), em um nível inadequado para um País onde já faltam empregados qualificados. São crianças e jovens que não apenas terão dificuldades de inserção profissional, mas terão menos probabilidades de compreensão de seus direitos e deveres democráticos, sofrerão mais com doenças, marginalidade, gravidez precoce e exclusão.

É urgente mudar. E ainda é urgente sair desse estado de fatos em que todos concordam com a necessidade da mudança e tão pouco se faz para mudar.


*Pedagoga, mestre em Educação, diretora dos serviços educacionais da Editora Saraiva